Os devaneios, sonhos, rotinas e alucinações de uma mulher comum que de comum não tem nada. Não será esta a melhor descrição para qualquer mulher... mas que sei eu... sou só uma tola...

21
Out 13

A chuva cai indolente, sozinho na estrada corres, sentes o esforço dos músculos, sentes o vento a bater no rosto, sentes-te vivo. Os teus pensamentos correm contigo, os teus problemas ficam para trás… o desespero aperta o teu coração e portanto corres mais, mais rápido, com mais vigor… queres fugir, queres desparecer.

A tua respiração acelera, o teu coração bate descompassado, a tua alma tem dificuldades em acompanhar-te o passo… quanto mais ofegante ficas, mais vivo te sentes, quanto mais cansado, mais energético e é nesta dicotomia que te encontras, é nesta dicotomia que te perdes. Neste espaço, na tua solitude, quando chegas junto ao mar e na sua imensidão reconheces a tua pequenez, na sua força reflectes a tua fraqueza, na sua paz vês a tua guerra.

Cais de joelhos na areia, peito aberto e braços estendidos numa prece. O sal sacia a tua sede de sonhar, o frio aquece a tua alma que temias ter morrido, os joelhos molhados secam a tua dor, a tua cabeça lateja, mas por uma vez não por pensares demais. Por um momento, por um brevíssimo instante sentes-te livre, sentes o alívio da dor ser apenas física.

Enquanto o teu corpo dói e mói sentes-te vivo, enquanto recuperas o ritmo cardíaco estás em paz, enquanto lutas pelo fôlego sentes que não vais aninhar e morrer e ainda de joelhos como numa prece, pedes a alguém ou a algo que te salve, que te liberte, que te deixe correr não na estrada, mas na vida. Pedes e imploras que a chuva indolente, que te molha o rosto e lava as lágrimas, te retire a mácula da cobardia, te limpe o espírito do medo e te permita viver, rezas até para que este não seja o fim do teu sonho, o fim do teu desejo… suplicas por favor, por favor que a vida te dê outra oportunidade, que o destino não seja tão cruel, que o mundo seja justo.

E então, de repente, subitamente, sentes novamente o coração a apertar… e percebes que chegou a hora de começar a correr novamente…

publicado por Nessie às 16:49
sinto-me: Inspirada...
música: Run baby run - Sheryl Crow

2 comentários:
Belíssimo texto. A inspiração brindou o teu texto com gotas de chuva...
Adorei.
Beijo.
sara a 29 de Outubro de 2013 às 16:07

Obrigada Sara :)
Nessie a 5 de Novembro de 2013 às 16:00

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