Os devaneios, sonhos, rotinas e alucinações de uma mulher comum que de comum não tem nada. Não será esta a melhor descrição para qualquer mulher... mas que sei eu... sou só uma tola...

26
Ago 13

Há uma situação que me acontece muito. Não consigo deixar de achar extraordinário e de me admirar sempre que acontece por muito recorrente que seja. Por diversas vezes que pessoas completamente desconhecidas e sem razão aparente põem-se a contar-me a vida toda em geral e os problemas em particular. Não será de somenos importância mencionar que isto acontece sem o meu encorajamento ou reciprocidade.

Hoje deparei-me com uma situação nova. Estava sentada calmamente à espera de uma consulta no hospital quando uma senhora que lá trabalha olhou para mim e começou a debitar situações que lhe aconteceram e problemas que lhe sucederam e desatou num pranto. Eu, sem saber como reagir perante esta explosão desenfreada de emoções e lágrimas, fiz o que qualquer cidadão digno desse nome faria e tentei acalmar a senhora e mostrar empatia apesar de estar tão atónita como o senhor sentado ao meu lado que nos olhava de soslaio.

O choro foi inédito, mas o facto de ter pessoas estranhas a contarem-me os seus segredos e problemas mais íntimos não. É, até, como supramencionado bastante frequente. Pergunto-me se as pessoas neste mundo andarão tão sozinhas que necessitem de desabafar com uma completa estranha ou tão desesperadas que realmente qualquer pessoa serve para depósito momentâneo da dor. E pergunto-me ainda se estas pessoas não se arriscam a encontrar alguém menos paciente e com menos capacidade de empatia que em vez de lhes proporcionar um pouco de alívio transitório não aumentem ainda a sua desacreditação e desilusão com a vida.

Pode até parecer um pouco “nonsense” da minha parte mas, de certa forma, sinto um certo alívio quando isto acontece comigo porque sei que aquela pessoa por mim não vai ser maltratada, zombada ou descartada como se um ser sem importância se tratasse, mas preocupa-me saber que as pessoas chegam a este ponto. Ao ponto de não se preocuparem com quem estão a falar, ao ponto da dor, desilusão ou mágoa que sentem serem tão fortes que têm que sair ou ao ponto de não terem um amigo, familiar ou vizinho que se predisponha a ouvir o que eles têm para dizer.

A sociedade parece-me um espelho turvo da falta de humanidade que reside nas pessoas, andamos todos tão absortos em nós mesmos que não levantamos a cabeça para ver o que se passa à volta e se virmos alguém aflito a nossa primeira reação é fugir a “sete-pés” por medo ou falta de tempo.

Quantas vezes dispôs do seu tempo para ajudar um sem-abrigo? Quanto tempo gastou a ajudar o próximo? Quantas vezes perdeu o seu precioso tempo a ouvir os desabados de alguém que precisava?

Esta senhora que se sentou a falar comigo hoje disse algo de muito certo: “Se as pessoas se preocupassem só um bocadinho mais com os outros e não fossem tão egoístas este mundo era um sítio muito melhor”.

 

Como tal, meus amigos, aqui vai o conselho de uma tola: olhem à vossa volta, vejam o que se passa no mundo (o outro que não o vosso) e quem sabe até aprendem alguma coisa.

publicado por Nessie às 17:44
sinto-me: Generosa
música: Hallelujah - Jeff Buckley

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