Os devaneios, sonhos, rotinas e alucinações de uma mulher comum que de comum não tem nada. Não será esta a melhor descrição para qualquer mulher... mas que sei eu... sou só uma tola...

18
Nov 13

Chegou o frio, veio solitário e rapidamente… ainda ontem sentia o calor do sol na pele, ainda ontem as gargalhadas ecoavam sob o sol quente e envolvente do verão, ainda ontem as noites eram de diversão e brincadeira e hoje… hoje somente a aragem gelada do vazio, a esterilidade do gelo e a paisagem desoladora da reclusão.

Ansiei pelo frio, pela doce estagnação da apatia, ansiei não sentir e a indolência da insensibilidade… pensei que seria mais fácil, achei que não mais sofreria, não mais lágrimas quentes marejariam os meus olhos. As lágrimas deixaram-me, essa fonte secou, mas mantém-se a dor pulsante no meu peito, agora sem o breve reduto purificante das lágrimas, sem o alívio momentâneo da expressão física da nossa alma.

A tristeza, a melancolia, a dor permanecem ainda que sob capa enganadora da incúria, disfarçadas pela máscara da desídia, mas eis que rugem sobre mim inesperadamente qual mar arrebatador, qual tempestade colérica que me agita e sacode a frouxidão do corpo. Relembrando-me que elas permanecem em mim, não me abandonam, características congénitas de uma alma que se tornou infecunda e estagnada.

No desespero deste frio que se apoderou de mim, na devastação que o destino causou fujo, corro, vou… procuro freneticamente as respostas, busco incansavelmente a solução e paro desamparada no meio da rua perante a luz do sol. Este assoberba-me com toda a sua imensidão e brilho, como criatura da noite encolho-me medrosamente perante o seu fulgor, mas eis que sinto lenta e meigamente a carícia do calor no meu rosto. Percebo que ele está sempre ali, eu somente não o sinto porque o meu frio vem de dentro, este vazio é tão e somente meu. Comprazo-me então momentaneamente com o calor que vem de fora, estico os braços e de olhos fechados encaro o sol como se eu fosse uma criatura da luz e sinto um alívio momentâneo nesta alma que já não encontra o reduto das lágrimas…

publicado por Nessie às 16:36
sinto-me: Noturna...
música: Cold cold heart - Norah Jones

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