Os devaneios, sonhos, rotinas e alucinações de uma mulher comum que de comum não tem nada. Não será esta a melhor descrição para qualquer mulher... mas que sei eu... sou só uma tola...

12
Fev 14

Acordei… corria na floresta, de pés nus, alma despida, vulnerável, assustada e sozinha. O meu corpo brilhava com suor frio e almejava pelos raios de sol que trespassavam entre as árvores. A respiração ofegante, o coração descompassado, a visão turva de lágrimas salgadas. Rapidamente o sentimento de medo e impotência tomava conta do meu corpo, lentamente sentia-me paralisar e encolher.

Acordei… o aperto no peito, a dor que me atravessava, a perda e desalento que sentia foram atenuando. Caiu sobre mim a resignação de que há histórias que não devem ser contadas, palavras que não devem ser ditas, sentimentos que não devem ser partilhados. Percebi que por vezes temos que desistir antes de tentar por muito que o nosso coração nos apele e empurre.  

Acordei… já não corro na floresta despida, caminho levemente por entre as folhagens procurando os raios de sol que passam no meu caminho, procuro sentir o perfume do orvalho e das flores, sentir na pele a frescura da natureza. Busco um caminho que não conheço, não sei onde está, mas mantenho acesa a esperança de o encontrar. Tento substituir as lágrimas pelo sorriso fácil, tento manter-me leve e ágil, sem medo e sem paralisar. Peço diariamente ao meu coração para sossegar e a respiração acalmar.

Acordei… a floresta já não parece tão assustadora, a escuridão não é tão grande nem os raios de sol tão brilhantes. O medo vai-me abandonando a pouco e pouco, as sombras ainda me fazem encolher, a solidão ainda me lembra um sonho perdido, mas o acordar tem o seu ritmo e afinal… sou apenas humana e crescer é difícil…

publicado por Nessie às 17:15
sinto-me: Natural :)
música: Say Something - Great big world

18
Nov 13

Chegou o frio, veio solitário e rapidamente… ainda ontem sentia o calor do sol na pele, ainda ontem as gargalhadas ecoavam sob o sol quente e envolvente do verão, ainda ontem as noites eram de diversão e brincadeira e hoje… hoje somente a aragem gelada do vazio, a esterilidade do gelo e a paisagem desoladora da reclusão.

Ansiei pelo frio, pela doce estagnação da apatia, ansiei não sentir e a indolência da insensibilidade… pensei que seria mais fácil, achei que não mais sofreria, não mais lágrimas quentes marejariam os meus olhos. As lágrimas deixaram-me, essa fonte secou, mas mantém-se a dor pulsante no meu peito, agora sem o breve reduto purificante das lágrimas, sem o alívio momentâneo da expressão física da nossa alma.

A tristeza, a melancolia, a dor permanecem ainda que sob capa enganadora da incúria, disfarçadas pela máscara da desídia, mas eis que rugem sobre mim inesperadamente qual mar arrebatador, qual tempestade colérica que me agita e sacode a frouxidão do corpo. Relembrando-me que elas permanecem em mim, não me abandonam, características congénitas de uma alma que se tornou infecunda e estagnada.

No desespero deste frio que se apoderou de mim, na devastação que o destino causou fujo, corro, vou… procuro freneticamente as respostas, busco incansavelmente a solução e paro desamparada no meio da rua perante a luz do sol. Este assoberba-me com toda a sua imensidão e brilho, como criatura da noite encolho-me medrosamente perante o seu fulgor, mas eis que sinto lenta e meigamente a carícia do calor no meu rosto. Percebo que ele está sempre ali, eu somente não o sinto porque o meu frio vem de dentro, este vazio é tão e somente meu. Comprazo-me então momentaneamente com o calor que vem de fora, estico os braços e de olhos fechados encaro o sol como se eu fosse uma criatura da luz e sinto um alívio momentâneo nesta alma que já não encontra o reduto das lágrimas…

publicado por Nessie às 16:36
sinto-me: Noturna...
música: Cold cold heart - Norah Jones

16
Set 13

Amanhece, mais um dia começa, mais um dia te espera, mais um mundo de possibilidades se apresenta, a esperança renova, a vida recomeça e nessa luz da manhã que te banha sente o calor do sol correr nas veias, sente a brisa da manhã lavar-te o rosto e secar as lágrimas que o teu peito embarga. Levanta o rosto, sente a luz da manhã iluminar a escuridão dos teus pensamentos, desentorpece os músculos e tenta alcançar as nuvens com a ponta dos dedos, corre, salta, canta, vive… Vive porque afinal acordaste mais um dia, acordaste mais um dia para a luz da manhã…

publicado por Nessie às 11:47
sinto-me: A amanhecer...
música: Autumn Leaves - Eva Cassidy

13
Ago 13

Há dias assim… dias em que o tempo não passa, a vida arrasta, o ser esmorece, o vento corre sem nos tocar, as ideias encolhem, as emoções estagnam e o sol brilha sem nos aquecer. Estes são os dias cinzentos em que nos sentimos tristes, os dias em que os problemas parecem duplicar e as soluções escassear, a comida perde sabor e as flores não têm cheiro.

Nestes dias escrevo, escrevo o que me vai na alma, descrevo a tristeza que me assola, a raiva que me transforma, a frustração que me impede, o medo que me paralisa, escrevo o que estiver a sentir num ritual catártico que em mim funciona. Uma depuração da alma que me alivia e apazigua como se as emoções fluíssem de mim para o papel, tendo como portal ou veículo condutor apenas a caneta.

Este é o meu pequeno depósito de pensamentos e aqui jazem as emoções que expulsei, aqui como em qualquer guardanapo de papel, folha de rascunho, bloco, post-it e demais depósitos semelhantes que estejam “à mão” e onde escrevinho o que me vai na alma. Não sou pessoa de exprimir verbalmente o que me vai na alma, é para mim difícil dizer em voz alta o que me incomoda o espírito, é terrível para mim expressar o que me melindra, assusta, magoa ou pisa. Curiosamente, por palavras escritas sempre fui capaz de me exprimir claramente. A palavra escrita é a minha ferramenta predileta, a minha forma de comunicação de eleição e o meu material depurativo favorito.

Hoje é um dia cinzento… por nenhum motivo em especial, simplesmente porque sim, sem mais explicações, sem mais expressões ou vontades. Hoje é um daqueles dias em que amanhece cedo demais, anoitece demasiado depressa, em que as condições não são as ideais, os sorrisos amarelos, as palavras ditas sem sentimento e tudo incomoda e aborrece.

Mas dou por mim a escrever este texto e a sentir-me melhor, a pensar que não tenho motivos para estar a ter um dia cinzento, que está um lindo dia de sol, o ar enche os meus pulmões, o meu coração bate, pulsa nas minhas veias o líquido da vida e a energia mexe os meus músculos. Nenhum de nós sabe o que está destinado para nós, nenhum de nós sabe o que está ao virar da esquina e que surpresas a vida nos trará. Não é essa a maravilha da vida… não saber o amanhã? Cada segundo ser uma nova oportunidade e cada dia uma lição?

Temos obrigação de sermos felizes ou, pelo menos, tentarmos ser felizes da melhor maneira que conseguirmos. Por isso, vou abrir as cortinas ao meu dia cinzento para deixar o sol entrar e deixo aqui o conselho de uma tola… façam o mesmo.

publicado por Nessie às 16:48
sinto-me: A florescer...
música: Both sides now - Joni Mitchell

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