Os devaneios, sonhos, rotinas e alucinações de uma mulher comum que de comum não tem nada. Não será esta a melhor descrição para qualquer mulher... mas que sei eu... sou só uma tola...

15
Jul 14

Esta velha amiga que me envolve nos seus familiares braços, num abraço que me sufoca e aperta o peito… esta companheira que nunca me abandona completamente, que permanece como uma sombra discreta, sempre constante e fiel. Quando me esqueço dela por breves instantes, ela mostra-se em todo o seu esplendor para que nunca o meu coração a olvide.

O seu manto frio cobre-me na escuridão da noite, ela acaricia o meu cabelo sem meiguice ou calor, ela limpa-me as lágrimas que correm livremente no meu rosto sulcando mais uma linha, mais uma história, mais um sonho perdido.

Aprendi a viver com ela, aprendi a aceitá-la como parte de mim, como um lado obscuro da minha alma que persiste contra a minha vontade, contra o meu alegre coração. Ela consola a minha incerteza sendo a única constante que conheço, a única parte de mim que nunca se alterou, nunca passou.

Confundimo-nos numa simbiose mórbida e desastrosa, sem sabermos onde eu começo e ela termina, sem percebermos quem domina e quem se submete, quem é carrasco e escravo, numa tempestade sem fim e sem proveito.

Esta velha amiga e companheira a quem tantas vezes tento virar as costas, a quem infindáveis vezes tentei escorraçar da minha vida, não aceita partir, não obedece o meu comando, não obedece a minha ordem… esta amiga, esta companheira e algoz…esta parte da minha alma… esta Tristeza…

publicado por Nessie às 16:41
sinto-me: Not great
música: I dreamed a dream

30
Set 13

Há dias assim, dias em que todos os nossos sonhos e ambições caem por terra, em que nos perguntamos “porque é que isto aconteceu a mim?”. Dias em que temos vontade de desistir e “atirar a toalha”. Dias em que nos perguntamos onde é que está a justiça do mundo? Onde é que foram as nossas ambições?

Tentamos fazer a coisa certa, manter os nossos valores, não magoar ninguém. Tentamos não prejudicar os outros, criamos teias de mentirinhas piedosas, ligações que não queríamos, envolvemo-nos em situações que não são as ideais e com pessoas que nos causam desconforto. Lutamos, respiramos, acordamos dia após dia, acordamos para viver mais uma manhã, mais uma rotina, mais uma batalha e depressa nos apercebemos que não estamos a viver… estamos simplesmente a sobreviver.

E de novo nos encontramos naquele poço sem fundo em juramos que nunca mais voltávamos a cair, mais uma vez a estrada parece não ter saída e o caminho para trás desmoronou. O destino foi-nos levado e os alicerces da vida arruinados, tudo parece em vão e nada faz sentido. E então… que fazemos então? Onde é a saída deste labirinto? Onde é o ponto de partida para começar de novo? Como podemos renascer das cinzas e voltar a viver? Como podemos encontrar a resposta às tantas perguntas que rodopiam dentro de nós?

Pensamos... qual é a minha importância afinal? Qual é a minha missão? Para que é que aqui estou? E no dia seguinte acordamos mais uma vez para a luz da manhã, acordamos mais um dia, sobrevivemos mais um dia e a pouco e pouco a respiração ofegante vai acalmando, a saída do poço não parece tão longínqua, o caminho é mais claro e o destino mais certo… e um dia nada extraodinário, um dia vulgar, comum e rotineiro, acordamos e apercebemo-nos que não estamos mais a sobreviver, mas sim que voltamos a viver. E então juramos a nós mesmos que nunca mais voltaremos a cair naquele buraco negro… pelo menos até à próxima… até cairmos novamente.

publicado por Nessie às 23:02
sinto-me: Triste...
música: Somewhere - Barbara Streisand

02
Set 13

Não reconheço este país… É triste dizer isto, mas a verdade é que já não reconheço este país que adorava.

Que país é este que expulsa os seus? Que país é este governado por pulhas e canalhas? Que país é este que despreza os velhos e ignora os jovens? Que abandona os doentes e escarneia os desamparados? Que país é este?

Este país de “brandos costumes”, este “jardim à beira-mar plantado” e demais clichés que, de tantas vezes repetidos, se tornaram comuns e vulgares. Que é feito dele que não o vejo?

O orgulho que me enche o peito por ser portuguesa definha lentamente com as atrocidades cometidas, com o sofrimento que vejo perpetrado nos mais vulneráveis, com o abandono a que devotam o povo em prol de directrizes internacionais e demais leis e princípios que o povo não compreende, com este saque a céu aberto do pouco ou nada que nos resta.

Portugal é o país da boa comida e bom vinho, é a arte de bem receber, é a lágrima fácil de emoção ao canto do olho, é o rosto curtido pelo sol, terra de descobridores e gente destemida, é a pronúncia do Norte e o calor do Sul, é terra de gente trabalhadora e poetas, é o país da saudade e do “desenrascanço”, é fado, é praia, serra e seara, é o sol que evapora o aguaceiro e lareira que aquece a alma… Portugal somos nós.

Este é o país em que eu cresci, este é o país com valores e princípios que eu me habituei a amar…Este foi o país que me partiu o coração, que eu vi definhar na mão de algozes e carrascos que o tornaram em algo que me é estranho, algo que em pouco se assemelha ao meu país. É com pesar que digo...estou de luto, de coração partido e alma acabrunhada porque o meu país morreu…

 

P.S.- desculpem o desabafo, mas depois de ver tanta gente que me é querida partir porque não tinham como sobreviver no seu país fico triste e revoltada.

publicado por Nessie às 16:03
sinto-me: Em terra de cegos...
música: Come away with me - Norah Jones

13
Ago 13

Há dias assim… dias em que o tempo não passa, a vida arrasta, o ser esmorece, o vento corre sem nos tocar, as ideias encolhem, as emoções estagnam e o sol brilha sem nos aquecer. Estes são os dias cinzentos em que nos sentimos tristes, os dias em que os problemas parecem duplicar e as soluções escassear, a comida perde sabor e as flores não têm cheiro.

Nestes dias escrevo, escrevo o que me vai na alma, descrevo a tristeza que me assola, a raiva que me transforma, a frustração que me impede, o medo que me paralisa, escrevo o que estiver a sentir num ritual catártico que em mim funciona. Uma depuração da alma que me alivia e apazigua como se as emoções fluíssem de mim para o papel, tendo como portal ou veículo condutor apenas a caneta.

Este é o meu pequeno depósito de pensamentos e aqui jazem as emoções que expulsei, aqui como em qualquer guardanapo de papel, folha de rascunho, bloco, post-it e demais depósitos semelhantes que estejam “à mão” e onde escrevinho o que me vai na alma. Não sou pessoa de exprimir verbalmente o que me vai na alma, é para mim difícil dizer em voz alta o que me incomoda o espírito, é terrível para mim expressar o que me melindra, assusta, magoa ou pisa. Curiosamente, por palavras escritas sempre fui capaz de me exprimir claramente. A palavra escrita é a minha ferramenta predileta, a minha forma de comunicação de eleição e o meu material depurativo favorito.

Hoje é um dia cinzento… por nenhum motivo em especial, simplesmente porque sim, sem mais explicações, sem mais expressões ou vontades. Hoje é um daqueles dias em que amanhece cedo demais, anoitece demasiado depressa, em que as condições não são as ideais, os sorrisos amarelos, as palavras ditas sem sentimento e tudo incomoda e aborrece.

Mas dou por mim a escrever este texto e a sentir-me melhor, a pensar que não tenho motivos para estar a ter um dia cinzento, que está um lindo dia de sol, o ar enche os meus pulmões, o meu coração bate, pulsa nas minhas veias o líquido da vida e a energia mexe os meus músculos. Nenhum de nós sabe o que está destinado para nós, nenhum de nós sabe o que está ao virar da esquina e que surpresas a vida nos trará. Não é essa a maravilha da vida… não saber o amanhã? Cada segundo ser uma nova oportunidade e cada dia uma lição?

Temos obrigação de sermos felizes ou, pelo menos, tentarmos ser felizes da melhor maneira que conseguirmos. Por isso, vou abrir as cortinas ao meu dia cinzento para deixar o sol entrar e deixo aqui o conselho de uma tola… façam o mesmo.

publicado por Nessie às 16:48
sinto-me: A florescer...
música: Both sides now - Joni Mitchell

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