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Conselhos de uma Tola

Os devaneios, sonhos, rotinas e alucinações de uma mulher comum que de comum não tem nada. Não será esta a melhor descrição para qualquer mulher... mas que sei eu... sou só uma tola...

Conselhos de uma Tola

Os devaneios, sonhos, rotinas e alucinações de uma mulher comum que de comum não tem nada. Não será esta a melhor descrição para qualquer mulher... mas que sei eu... sou só uma tola...

A "grande lição"

Abril 20, 2020

Nessie

Acordo de manhã e, por uns breves momentos, é um dia normal. Não há Corona vírus, não estamos isolados em casa, a minha filha vai para a escola brincar com os amigos, eu vou trabalhar para o escritório, jantar com a minha mãe, abraçar o meu pai. Os dias estão a ficar maiores, mais quentes, as andorinhas já chegaram e vão começar os copos com os amigos nas esplanadas, os churrascos ao fim-de-semana e as fugidas à praia sempre que possível. Vou viajar em breve para uma despedida de solteira e este ano tenho dois casamentos, um deles da minha melhor amiga para o qual estou ansiosa.

Mas a realidade instala-se, devagar, devagarinho. Enquanto desperto, recordo os números, o horror dos milhares e milhões que sofrem; as mortes, o medo, a solidão. As vidas adiadas, os planos cancelados, a saudade e a ausência de toque. Ainda me tento agarrar à esperança que seja tudo um sonho mau. Afinal, eu vivo em Portugal, o "jardim à beira-mar plantado" onde nada de extraordinariamente mau acontece. Abano a cabeça numa negação surda, cerro os olhos à verdade.

Levanto-me lentamente, começando a sentir o tão familiar peso nos ombros e a conhecida pressão no peito. A ansiedade de contar os dias por tempo indeterminado é avassaladora. Começa o processo de racionalização... tenho saúde, os meus familiares e amigos estão bem, as pessoas que amo estão bem, tenho emprego, comida, casa, até tenho um jardim para apanhar ar fresco. Penso que há-de haver um objectivo do universo por trás disto tudo, um objectivo que não compreendo. Que a Natureza está a ensinar uma "grande lição" aos seus filhos, que o ser humano sairá mais forte e unido desta pandemia. Mas parte de mim pergunta-se.... Qual é a "grande lição" a retirar de tanto sofrimento? Até a dignidade de enterrar os nossos mortos convenientemente nos foi tomada. Filhos, pais, amores e amigos que não se tocam, não se abraçam, não se beijam. Empregos perdidos, sonhos destruídos, lágrimas sem uma mão amiga para as limpar. Não tenho dúvida que a sociedade mudará, que todos mudaremos.

Resta-me esperar que, no meio do caos, seja o melhor do ser humano que venha ao de cima. A cooperação, o respeito, a solidariedade e o amor. Que todo este sofrimento não seja em vão, que a "grande lição" seja aprendida de uma forma definitiva e que o pós-Covid nos traga um mundo mais justo, limpo e melhor. Que nos mostre que "onde há vida, há esperança"; que a saúde é realmente o mais importante e que devemos lutar pelos nossos sonhos e felicidade sem medos, porque afinal tudo pode acabar muito rapidamente. Que devemos viver e não apenas sobreviver; fazer, na medida do possível, das nossas vidas o que queremos para não dar lugar a arrependimentos; para sorrirmos mais do que choramos.

O conceito de "normalidade" ganhará uma nova definição e creio que a "grande lição" será diferente para cada um de nós. Começo a compreender qual é para mim. E tu? Já compreendeste qual é a "grande lição" que o Universo tem para ti?

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